MENSAGEM DO BLOG




Para caminhar nas estradas da espiritualidade é preciso ter uma estrela guia. Uma mão condutora, terna, amorosa, porém firme. Sem esses Mestres e Guias condutores é impossível prosseguir em uma jornada segura, próspera e luminosa. Impossível também caminhar sem o auxílio das mãos amigas dos elementais, co-criadores da vida e da magia.
Deixo neste primeiro momento minha gratidão ao Povo Cigano que me adotou na espiritualidade e aos queridos amigos que tenho encontrado nesses caminhos, assim como aos quatro elementos que me inspiram e me iluminam a intuição e a visão além daquilo que posso ver em minha limitada capacidade.
Deixo aqui registrado meu amor e carinho às Mães Sara e Aparecida, guardiães deste Povo guerreiro e sofrido. Que Deus ilumine a todos os Ciganos encarnados e espirituais, pela difícil missão nestas eras de preconceito e intolerância. Que sua luz e alegria possa abrir as conscieências adormecidas. Assim eu peço ao Deus maior.
Desejo que todos aqueles que por aqui passarem recebam as vibrações de amor e alegria desta egrégora feita nas estrelas, SALVE O POVO CIGANO!

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OS CIGANOS

" EM CIMA O CÉU,EMBAIXO A TERRA E,NO MEIO, OS CIGANOS."

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ze Seu Ze Pelintra quando veem ele traz sua magia






Sr. Pilintra, o rei da madrugada.
Aqui o mencionamos, porque sendo ele o dono do carteado. 
A linha de ciganos, também o salva.
Visto que ele aqui na nossa terra, seus mediuns jogam baralho.
Inclusive, tem ele, o seu próprio baralho.


 .
Então, os ciganos, que aqui, chegam devem reverenciá.los com respeito e sabedoria.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

OS CIGANOS SÃO CONHECIDOS PELO MUNDO COMO

 

  
GITANOS: na Espanha
GYPSIES: na Inglaterra
BOÊMIOS: na Alemanha
ZÍNGAROS: na Itália
ROM: na Europa Oriental

CLEROMANCIA

 
Conta a lenda que os dados surgiram no Oriente através da civilização sumeriana.
Sua verdadeira origem é desconhecida, sabendo-se apenas que outros povos também
os utilizavam para adivinhar o futuro.

Os homens dos clãs ciganos costumavam carregar sempre seus dados nos bolsos para predizer o futuro e tomar decisões. Na grande maioria, jogam com três dados, e só o utilizam depois de energizá-los com água doce, da chuva, do rio, lago ou cachoeira e consagrá-los dentro do ritual cigano. Lançam os dados sobre um lenço estampado e com um copo de água ao lado para neutralizar as forças negativas.

O termo Cleromancia que designa práticas divinatórias feitas com pêssegos, pedras ou pedaços de madeira, tem a sua origem
no grego kleros que significa "objeto jogado à sua sorte ou sorteado". "A sorte está lançada" diziam os egipcios,
gregos e romanos quando consultavam os cleromantes, os quais utilizam de objetos e dados para fazer as previsões.

Os gregos atribuem a Palamade, herói da Guerra de Tróia, a invenção do jogo de dados, mas outros acreditam
que foi feito no Egito ou na Ásia. Outros autores atribuem a criação deste jogo dada a Ateneo, retórico e
gramático grego de origem egípcia, que viveu no início do século terceiro.

O que podemos afirmar, já que muitos relatos antigos atestam isso, é que os cleromantes egípcios, gregos e romanos,
e especialmente as cleromantes gregas, integraram progressivamente o uso de ossos e de dados em suas práticas divinatórias.

A grande maioria das cleromantes eram cortesãs gregas que haviam praticado primeiro a Geomancia, uma arte divinatória
e sagrada ainda mais antiga, cujo princípio baseia-se no significado e interpretação de figuras desenhadas na areia.

Não nos surpreende que na Grécia como em Roma, advogados, políticos e até os imperadores, procuravam eles com frequência.

Os etruscos parecem fascinados com os dados e muitos museus têm preservados dados dessa procedência. A maioria dos dados são encontrados em osso ou marfim, mas há também de bronze, chumbo, âmbar, vidro, cerâmica e pedras diversas.

Os Dados como nós conhecemos hoje, eles chamaram tesselas, mas haviam outros tipos chamados Talli, que tinham quatro lados marcados. Também são encontrados dados trucados. Eles servem para o jogo e também para fazer divinações nos templos.

A palavra acaso vem do árabe az-Zahr, e significa "jogo de dados", derivado por sua vez, de Zahr,
a flor da laranjeira (flor de laranjeira), que é representada em um dos lados dos dados árabes.

Contudo, os antecessores dos dados, tal como acontece com muitos dos chamados jogos de mesa usados a principio para fins divinatórios, são os astrágalo, do grego astragalos termo grego que designa as vértebras e ossos do tarso. Nossos antepassados utilizavam quase sempre, vértebras ou os ossos dos pés do cordeiro, que tinha quatro rostos.

O astragalomante inscrivia nesses ossos, aleatoriamente, uma letra do alfabeto, em seguida, jogava esses pequenos ossos
numa caixa, depois de terem sido misturados, e formular vários encantamentos. Os ossículos retirados da caixa, uma vez reunidos, atraves de um ritual poderiam dizer que formavam um conjunto de letras que tinham um significado e que permitiram
o astragalomante receber uma mensagem divinatória para a pessoa que consultou ele.

Então, as letras foram substituídas por números, e pouco a pouco, foram configurados dados em forma de pedra no Egito,
os dados de madeira e mesmo os dados de doze, catorze ou vinte lados, especialmente em tempos romanos.

No entanto, o dado comum tem seis faces, numeradas de 1 a 6, como no presente, e claro, cada número
e cada combinação de números, como a utilização de um, dois ou três dados, tinha um significado divinatório especifico.



   

AMULETOS



Amuletos no trabalho dão sorte

Muitas pessoas não abrem mão do uso de amuletos. Seja para se proteger dos olhares de invejosos, seja para proporcionar sorte no dia a dia, esses objetos estão na bolsa, no carro, em casa e, inclusive, no ambiente profissional.
Aliás, é muito comum vermos celebridades utilizando, tanto nacionais, como a apresentadora Sabrina Sato, que apela para a ferradura ou o Cristo Redentor, e internacionais, como a rainha do pop Madonna, que não desgruda dos pingentes em formato de crucifixos. Mas será que eles realmente funcionam?
Segundo a esotérica, reikiana e numeróloga Ivanih Bianco, esses objetos funcionam desde que a pessoa acredite e use o poder da mente com fé para atrair uma força positiva a favor ao amuleto.
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"Eles servem para atrair energias positivas e quebrar as negativas", explica.E sabe aquela história de que o umbigo é um canalizador de energia e que, quando o ambiente de trabalho está negativo, deve ser tampado com uma fita ou esparadrapo? É verdade! Ivanih afirma que vários pontos abertos do nosso corpo são canais de energia e estão aptos a captar forças negativas. "O umbigo, por exemplo, deve-se manter fechado a cada uma semana, por 12 horas. Passado o período, abra, porque é uma entrada de energia que não pode ficar fechada por muito tempo", diz ela.
A jornalista Sonia De Pieri, 50 anos, é adepta dos amuletinhos e espalhou por diversos locais da empresa. "As imagens sagradas de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora Aparecida estão juntas ou ao lado do sal grosso. As bíblias estão conectadas com olho grego, água benta e velas. Além disso, acender incenso é sagrado, assim como ir até as plantas e nos encantar com as que nos protegem", conta.
A crença de Sonia nos amuletos iniciou ao ingressar em uma emissora de rádio. Logo no primeiro dia de trabalho deparou-se com seis mulheres, cinco delas deitadas no chão, descalças e ao fundo uma pirâmide com diversas velas acesas. Uma estava em pé segurando um pêndulo e entoando um mantra. "Com o passar dos dias percebi que eu era uma estranha no ninho, pois todas da redação eram esotéricas. Então, tive de me adaptar, pois se elas viam duendes e gnomos, eu ao menos tinha de saber quem eles eram", relatou.
Ela, que atualmente é diretora executiva da De Pieri Comunicação, diz que em sua empresa adequou os amuletos fazendo um contraste com a decoração. "Costumo dizer para meus colaboradores que esses amuletos são apenas um apoio. A fé, a honestidade, a idoneidade e o bem querer ao próximo são o que movimentam a energia", descreve.

Luciana Anita Teixeira, 39 anos, bacharel em Direito e Pedagoga, também apela para os benefícios dos amuletos. Em sua mesa, não pode faltar o pentagrama, a árvore da fortuna, na qual ela coloca uma nota de real embaixo, incensos de canelas e estrelas de cinco pontas. "Também uso um enfeite de pimenta para afastar a inveja e uma foto em frente com o símbolo de oito deitado", relata.Os que ela possui são principalmente para atrair clientes e dinheiro. "Desde que passei a utilizá-los não falta clientela e muito menos dinheiro. Acontece sempre de forma positiva e, até então, não me vejo sem os meus amuletos", brinca Teixeira. "Além disso, tenho dois chaveiros com vários enfeites que dão sorte como figa, estrela, anjo, olho grego e o pentagrama que leva para todos os locais", completa.
Sua fé nos amuletos iniciou quantia tinha 19 anos, épocas em que passou a se envolver na área esotérica. Luciana, que também é taróloga, afirma que não fica sem os objetos. "Também costumo realizar limpeza espiritual no ambiente onde trabalho algumas vezes na semana e aplicar incensos para purificar energias estagnadas", informa.
Outra que não desgruda dos objetos de sorte é a esteticista Anna Veronica Zicarelli. "Tenho dois que não saem na minha bolsa. O primeiro é um pequeno corcunda em madrepérola que ganhei de minha bisavó. Ela herdou do meu bisavô quando faleceu na 2ª Guerra Mundial. Minha família é italiana e acredita-se que é um símbolo de boa sorte", afirma.
Além desse, ela tem um travesseirinho com um paninho dentro, onde encostou a língua de Santo Antonio. "Esse também era do meu avô e ele ganhou quando foi prisioneiro por sete anos, depois de voltar da 1ª Guerra Mundial. Quem deu para ele foi a irmã, que morava em Roma", descreveu Zicarelli.
Veja o que significa cada amuleto, de acordo com a esotérica Ivanih Bianco:
Figa: é a maneira de você fazer uma cruz pelos dedos, sem ninguém ver. A figa afasta energias negativas, coisas ruins em geral.
Pé de coelho: o coelho é muito conhecido como o animal fértil. Então o pé de coelho simboliza a fertilidade na vida, em qualquer setor, por isso é usado como amuleto, pois atrai coisas positivas.
Olho grego: afasta inveja, mau-olhado e qualquer energia negativa. Pode ser em qualquer tamanho, desde que seja na cor azul.
Patuá: nada mais são do que orações de santos - orixás ou anjos - transformados em medalhas e costuradas umas nas outras, que servem como proteção. Escolha seus santos de devoção e construa seu patuá. Por exemplo, Santo Expedido é o das causas impossíveis. Na Bahia, fazem-se os patuás com as cores dos orixás, como Iansã: cor vermelha e marrom, Iemanjá: azul, entre outros.
Cruz de malta: é como o símbolo da ordem dos cavaleiros, a cruz com a cor violeta é símbolo de Saint Germain, que transmuta todas as energias negativas do universo. Por isso, é um amuleto muito poderoso.
Pimenta vermelha: pouco conhecida como amuleto, ela afasta inveja e mau-olhado. Já que quando você ingere uma pimenta ela arde, o significado dela atua com quem te inveja.
Ferradura: afasta os espíritos e energias negativas. Ela carrega sorte e positividade.
Mão de Fátima (Hamsá): proteção contra o mau-olhado e fortuna.
Por Stefane Braga (MBPress)
 
 


LUZ DE SANTA SARA

UM TEXTO CIGANO

 
(Quadro Maria do Carmo)

As oferendas e os feitiços relacionados aos espíritos ciganos misturam o estilo da magia européia com alguns elementos da magia de origem africana. Assim, predominam as oferendas e simpatias colocadas em lugares exteriores, os banhos aromáticos, os ingredientes nacionais (frutas, pimentas, cereais, feijões e especiarias de uso comum) os potes de barro, mas também são usadas poções, velas, defumações, cristais, moedas, pregos, etc… de origem européia.
Segundo alguns autores, o trabalho com os espíritos pode ser resumido em algumas práticas básicas.
1) Aproximação: O espírito não é assentado, como os orixás e os exus, ele não pode ser obrigado a fazer nada, pois é um conselheiro, um guia superior. Ele se aproxima da pessoa e incorpora espontaneamente, ou dá intuições sem incorporar.
2) Oferendas: As oferendas para os espíritos ciganos incluem frutas, flores, pão, bebidas (vinho ou água), adornos (coloridos e brilhantes), velas, defumadores. Os espíritos ciganos nunca recebem sacrifício de animais. O melhor dia para entregar oferendas para os espíritos ciganos é o domingo, ao meio-dia, seu local preferido é junto a uma árvore na mata ou em um jardim.
3) Trabalho: O trabalho básico dos espíritos ciganos é a adivinhação. A técnica mais comum é a cartomancia, mas podem ser usadas a bola de cristal, a leitura de mãos e outras técnicas menos comuns (geralmente próprias de um determinado espírito). A partir do que seja visto na adivinhação, o espírito cigano pode realizar feitiços para corrigir o problema encontrado.
4) Cores: Os espíritos ciganos gostam de cores vivas e brilhantes. No ritual com espíritos ciganos, nunca é usada a cor preta: nem em roupas, nem em velas, fitas ou outro material qualquer.
5) Altar: Quem trabalha com um espírito cigano, é devoto de um deles ou deseja sua proteção, pode armar em casa um pequeno espaço devocional: sobre um móvel, ou mesmo sobre uma prateleira, é colocada uma boneca cigana, imagem ou mesmo um quadro com a cigana(o) de sua devoção que deve ser consagrado através de um ritual especial. A pessoa coloca junto à imagem suas oferendas (velas, água, cristais, pote da prosperidade etc…) e, quando quer fazer um pedido ou feitiço, coloca aí o material do encantamento, antes de despachá-lo. Os ciganos costumam ter, nesse altar, as imagens dos santos de sua devoção, entre os quais é obrigatória Santa Sara.

Alguns Espíritos Ciganos

As pessoas que trabalham com espíritos ciganos sabem descrever em detalhes as características de muitos deles. A lista a seguir é um resumo de informações encontradas em livros, se alguém encontrar alguma diferença entre esses dados e sua experiência pessoal, leve em conta que essas variações podem ocorrer quando se trata da manifestação de entidades do mundo espiritual. Note também que esta lista nem de longe esgota o total de espíritos ciganos, conhecidos por seus devotos.

CARMENCITA –
cabelos e olhos pretos; Cor: coral; Perfume: patchuli; Objetos: moedas, lua; Poder de magia: amor, união.
ESMERALDA – cabelos louros, olhos verdes; Cor: verde-claro; Perfume: sândalo; Objetos: tiara com moedas, pedras verdes, signo – salomão; Poder de magia: dinheiro.
IAGO – jovem, moreno; Cor: violeta; Perfume: violeta; Objetos: moedas, cristal lilás; Poder de magia: Cura.

MADALENA –
cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando cor-de-rosa; Perfume: alfazema; Objetos: moedas presas na roupa, pulseira com talismã; Poder de magia: amor, união.

PABLO –
cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: Floral; Objetos: cordão com moeda, chapéu preto; Poder de magia: negócios.
PALOMA – cabelos e olhos pretos; Cor: multicor, predominando amarelo; Perfume: verbena; Objetos: punhal, cristal vermelho; Poder de magia: proteção.
RAMUR – cabelos e olhos pretos; Cor: vermelho; Perfume: floral; Objetos: ferradura, ferro; Poder de magia: proteção, segurança.
SALAMANDRA – ruiva; Cor: vermelho; Perfume: flores do campo; Objeto: fogueira; Poder de magia:limpeza, cortar feitiço.
SANDRO – cabelos e olhos pretos; Cor: verde; Perfume: benjoin; Objeto: punhal, moedas; Poder de magia: prosperidade.
SULAMITA – cabelos e olhos pretos; Cor: azul e amarelo; Perfume: Verbena; Objetos: cristal, folhas de árvores frutíferas; Poder de magia: união, proteção.

WLADIMIR –
usa cavanhaque, jovem; Cor: azul-claro; Perfume: âmbar; Objetos: lenço no cabelo, argola na orelha, cordão com signo-salomão e sol; Poder de magia: união.
ZAÍRA – cabelos e olhos pretos, casada; Cor: azul-claro; Perfume: Acácia; Objetos: jóias prateadas; Poder de magia: amor.
POVO CIGANO
Para entender o que ocorre hoje em relação à magia cigana no Brasil, é necessário distinguir entre os ciganos reais e os simbólicos. Os ciganos reais tendem a seguir a religião dominante no país em que vivem; assim, no Brasil, a grande maioria deles se diz católica, onde vem crescendo a sua ligação com a Umbanda.
É justamente aqui que surgem os ciganos simbólicos: desde o início, a Umbanda incluiu no seu panteão, povos de diversas origens, incluídos na linha do Oriente. Foi aí que os ciganos se incorporaram à Umbanda. A princípio, era apenas mais um pequeno grupo de entidades, a que a imaginação popular dava um aspecto e um comportamento estereotipados, inspirados na visão romântica dos ciganos. Freqüentemente, essas entidades tinham personalidades poucas definidas, como a “Ciganinha” ou a “Cigana da Estrada”, com o tempo, entretanto, ocorreu uma mudança. Embora não se possa dizer qual é o peso disso no total da população cigana no Brasil, o certo é que alguns ciganos, ou descendentes deles, aproximaram-se da Umbanda.
O intercâmbio entre as duas culturas teve como resultado a sofisticação crescente do trabalho com espíritos ciganos, que adquiriu feições próprias, quase independentes do restante do culto. Hoje em dia, muitas pessoas que trabalham com espíritos ciganos não se consideram de Umbanda e realizam sua devoção de forma independente de qualquer culto organizado: é um culto essencialmente individual e doméstico, resultante, em geral, da simpatia ou da curiosidade a respeito dos ciganos. Essas pessoas tendem a seguir também as devoções dos ciganos reais, inseridas no catolicismo. A religião formal seguida pelos ciganos é complementada pela crença no sobrenatural, trazida de suas origens indianas e das regiões por onde passaram (principalmente a Europa Central e a Mediterrânea), onde ainda hoje sobrevive a bruxaria originária da antiga religião da natureza. Muitas dessas crenças podem ser encontradas entre as práticas mágicas da população brasileira herdadas talvez em parte diretamente dos ciganos.
A festa mais importante comemorada pelos ciganos e o dia de Santa Sara (24/25 de maio). Desde 1997, os ciganos comemoram também o dia de São Zeferino, o primeiro beato (e futuro santo) cigano.
Santa Sara – segundo relato cristão, poucos anos depois da morte de Jesus, José de Arimatéia fugiu da Palestina, levando consigo a Maria Jacomé, Maria Salomé, Lázaro e suas irmãs Maria e Marta. Esse grupo aportou na costa francesa na foz do rio Ródano, a partir de onde Lázaro realizou seu trabalho apostólico por toda a província romana da Gália; o local tornou-se, por isso, um dos grandes centros de peregrinação da Europa Medieval.
O resultado do encontro da religião antiga com as novas crenças cristãs foi o surgimento, na região, do culto de uma santa negra, provavelmente o sincretismo da Grande Mãe-Terra pré-cristã com a Virgem Maria (o que foi muito comum na Europa, durante a Idade Média).
De acordo com uma lenda, o grupo de José de Arimatéia trouxera uma escrava negra chamada Sara; outra versão diz que Sara era uma habitante do lugar, que acolheu os exilados, seja como for, cresceu na região da Camargue o culto de Santa Sara. Embora Sara não seja canonizada (e seja, possivelmente, uma figura lendária), é aceita pela igreja como uma santa popular regional.
Quando os ciganos chegaram à região, em meados do século XV, já encontraram estabelecida a devoção à santa negra. Seu aspecto lembrou-lhes uma importante deusa hindu, geralmente cultuada pelas castas inferiores, Kali, a negra, consorte de Shiva (o destruidor), que representa o lado ameaçador da Grande Mãe. Assim, para os ciganos, Santa Sara tornou-se Sara Kali, passando a ser com o tempo a grande padroeira de todos os ciganos.
São Zeferino – Zeferino Gimenez Malla foi um cigano nascido na Catalunha (Espanha) em 1861; seu apelido era “El Pelé”. Comerciante de cavalos, Zeferino levou vida nômade até os quarenta anos, quando fixou residência na cidade espanhola de Barbastro, aonde chegou a ser o patriarca dos ciganos. Seguidor da religião católica, tornou-se catequista, apesar de ser analfabeto. Muito caridoso, auxiliava ativamente todos os pobres da região. Em 1936, Zeferino, com 75 anos, tentou defender um padre que estava sendo maltratado por milicianos. Preso, foi fuzilado na noite de 09 de agosto, junto com outros prisioneiros. A data comemorativa de “São Zeferino do Cavalo Branco” é 4 de maio em que o cigano foi beatificado.
As oferendas e os feitiços relacionados aos espíritos ciganos misturam o estilo da magia européia com alguns elementos da magia de origem africana. Assim, predominam as oferendas e simpatias colocadas em lugares exteriores, os banhos aromáticos, os ingredientes nacionais (frutas, pimentas, cereais, feijões e especiarias de uso comum) os potes de barro, mas também são usadas poções, velas, defumações, cristais, moedas, pregos, etc… de origem européia.
Magia Cigana
Pote da Prosperidade: Compre um pequeno pote de barro. Providencie pequenas porções de todos os tipos de grãos alimentícios que puder encontrar: arroz, cevada, milho, trigo, feijão, lentilha, ervilha, etc), trigo mourisco, além de folhas de louro e saquinhos com farinha, café e açúcar. Providencie também algumas moedas. Num dia de Lua Cheia, arrume no pote camadas sucessivas dos grãos e das farinhas, intercalando com as moedas e as folhas. Coloque esse pote junto à imagem cigana e ofereça-o ao espírito cigano (corrente cigana), junto com uma vela, um defumador e um copo de água mineral, peça-lhe prosperidade e fartura para seu lar e seu trabalho. Troque os cereais uma vez por ano, reaproveitando o pote e as moedas e despachando os produtos perecíveis sob uma árvore.
Cesta para o Espírito Cigano: Fazer esta oferenda uma vez por mês, na Lua Crescente ou Cheia; ou sempre que quiser fazer um pedido especial ao espírito cigano (corrente cigana). Providencie uma cesta de palha; papel laminado, tecido ou papel de seda na cor preferida do espírito cigano ao qual vai oferecer a cesta; frutas variadas, com exceção das muito ácidas (abacaxi, limão); uma garrafa de vinho; flores, adereços e objetos do gosto do espírito cigano, como jóias, moedas, lenços, fitas, baralho, incensos, Também podem utilizar doces e pães. Forre a cesta com o papel ou tecido, arrume dentro os alimentos e os objetos, coloque a cesta junto da boneca ou da imagem cigana, com a vela e o incenso acesos. No dia seguinte, faça uma refeição de comunhão com seus parentes e amigos, utilizando os alimentos da cesta. Coloque as flores no pé de uma árvore e guarde os outros objetos para quando quiser repetir a oferenda.
Ritual para as bênçãos de Santa Sara a fim de trazer mais alegria, energia e força do Povo Cigano: Montar um altar com uma toalha branca ou uma colorida com detalhes dourados.Escolha a cor da vela pela energia que quiser trabalhar, podendo também acender 3 velas e trabalhar com as 3 energias juntas: a vela azul para proteção; a amarela para a área profissional e a vermelha para a área amorosa. Se optar pelas 3 velas, formar um triângulo com elas, colocando os outros elementos dentro do triângulo. Sete moedas douradas, uma cesta com frutas, flores coloridas, incensos, fitas coloridas, menos a preta, para decorar.
Ofereça e consagre todos os elementos a Deus Pai, à Sagrada Mãe, à Santa Sara Kali, aos ciganos da luz e peça a concretização de bom emprego, abertura na área profissional, na vida amorosa, fartura, abundância material e espiritual, saúde para aproveitar todas as oportunidades e proteção contra todos os males. Estenda estes pedidos aos seus familiares e a todos ligados a você. Se colocar a vela de sete dias reforce durante os sete dias os pedidos e não se esqueça dos agradecimentos. Encerrar com uma Oração a Santa Sara:
“Santa Sara, pelas forças das águas, pelas forças da lua, pelos seus mistérios.
Eu, filho do vento, da lua, das estrelas. Venho pedir proteção para mim, para minha família – Para os meus amigos e para os meus inimigos – Para minha casa e para todos que vierem bater em minha porta. Que eu tenha sempre uma palavra de amor, de carinho e de esperança. Amém!”
Ao preparar esses rituais coloque músicas alegres, entre com respeito e amor no espírito do Povo Cigano e faça-os de coração.
Trechos retirados do livro: Guia de Religiões Populares do Brasil, de Eneida D. Gaspar e do texto de Telma Aparecida

OS CIGANOS CONTAM...



Os Ciganos contam em uma de suas lendas que no passado tinham um rei, 
que guiava sabiamente o povo numa cidade maravilhosa da Índia, chamada Sind. 
 Ali o povo era muito feliz, até que hordas de muçulmanos expulsaram os Ciganos, 
destruindo sua cidade.
 Desde então foram obrigados a vagar de uma nação a outra...
 Todavia a razão pela qual abandonaram as terras nativas da Índia permanece ainda 
envolvida em mistério. Parece que eram originariamente sedentários 
e que devido ao surgimento de situações adversas, tiveram que viver como nômades.
 

O CHORO DO VIOLINO/POESIA












 
Photo: CHORA VIOLINO

O choro do violino, 
Me transporta,
Me entristece seu lamento,
O som levado pelo vento,
Traduz o apelo cigano,
A tenda coberta pela lona surrada,
Carroções na estrada,
Próxima cidade,
Próxima parada,
Coloridos panos
Minha alma cigana viaja, 
Se desliga do corpo,
Ganha alturas, relaxa,
Cruza céus, campos mares,
Vai rumo ao infinito,
Visita santuários, altares,
Sempre a procura de ti.O choro do violino,
Me transporta,
Me entristece seu lamento,
O som levado pelo vento,
Traduz o apelo cigano,
A tenda coberta pela lona surrada,
Carroções na estrada,
Próxima cidade,
Próxima parada,
Coloridos panos
Minha alma cigana viaja,
Se desliga do corpo,
Ganha alturas, relaxa,
Cruza céus, campos mares,
Vai rumo ao infinito,
Visita santuários, altares,
Sempre a procura de ti.
 

LENDA E POESIA

 

A lenda de uma cigana
Adormecida ao relento
Que perdeu a caravana
Por seguir o pensamento

Tem dias que anda pairando
Nos rumos do mundo
Tem dias que anda rolando
Nas presas do tempo

Diz a lenda que a cigana
Pelo caminho onde viera
O xaile tinha perdido
E um vagabundo o trouxera
Sacudindo o pó e as mágoas
Como se a cor acordasse
Num abraço dançou com ela
Antes que o vento a roubasse

Só o vento nos roda a saia
Só o vento nos faz dançar
Nos confunde os passos na areia
Muda o rumo às águas do mar

No silêncio mal se ouviam
Dançar descalços na areia
Numa noite quase fria
Estava a lua quase cheia
E pra rasgarem o escuro
Ou fugir à solidão

Ataram corpos cansados
Na sombra vaga do chão
Quando o sol entorna o dia
Ficara o xaile esquecido
E os passos da cigana
Já o vento tinha escondido

Ficou só o vagabundo
Resgatando uma ilusão
Com a alma amordaçada
Na palma da mão

Só o vento nos roda a saia
Só o vento nos faz dançar
Nos confunde os passos na areia
Muda o rumo às águas do mar.

H.R.V

MARIA CIGANA




 Photo: Salve Maria Cigana, sua luz e sua força!

Lá vai ela caminhando...
 
Com suas fitas coloridas,
 
com seu pandeiro a girar.
 
Salve cigana que abre as estradas,
 
acolhe e mostra qual caminho a trilhar...
 
Guiando os seus, pelo som dos seus sinos,
 
seus guizos a balançar.
 
Cigana guerreira e feiticeira do amor,
 
seu trabalho é um bálsamo,
 
um alívio para a dor.
 
Sua saia é rodada, 

muitos tecidos, muitas cores...
 
Bailando perto de um rio,
 
enchendo o chão de flores.
 
Suas mãos tem perfume,
 
para suas cartas consagrar.
 
Seu carteado tem magia,
 
para todo o povo socorrer.
 
Se lhe faltar a sorte, ela devolve a esperança...
 
Cigana  de fé,  que  ajuda e não cansa.
 
Abençoada pelo Pai Maior,
 
Maria Cigana  cumpre sua missão.
 
Em sua casa ela ensina, encaminha e acolhe.
 
Com um sorriso nos lábios e uma palavra amiga,
 
Maria Cigana da Estrada, a todos ilumina.
Salve Maria Cigana, sua luz e sua força!

Lá vai ela caminhando...

Com suas fitas coloridas,

com seu pandeiro a girar.

Salve cigana que abre as estradas,

acolhe e mostra qual caminho a trilhar...

Guiando os seus, pelo som dos seus sinos,

seus guizos a balançar.

Cigana guerreira e feiticeira do amor,

seu trabalho é um bálsamo,

um alívio para a dor.

Sua saia é rodada,

muitos tecidos, muitas cores...

Bailando perto de um rio,

enchendo o chão de flores.

Suas mãos tem perfume,

para suas cartas consagrar.

Seu carteado tem magia,

para todo o povo socorrer.

Se lhe faltar a sorte, ela devolve a esperança...

Cigana de fé, que ajuda e não cansa.

Abençoada pelo Pai Maior,

Maria Cigana cumpre sua missão.

Em sua casa ela ensina, encaminha e acolhe.

Com um sorriso nos lábios e uma palavra amiga,

Maria Cigana da Estrada, a todos ilumina.